Marta Chamarelli

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Ultimamente, devo confessar, não tem sido corriqueiro, para mim, sair do cinema mobilizada com os filmes que assisto. (E não tenho visto poucos!) Desde No intenso agora, de João Moreira Sales, sobre o qual vou escrever em outro momento, não saía do cinema tão mexida e revirada como aconteceu ontem. Assisti a uma delicada pérola de Sofia Coppola O estranho que nós amamos – The beguilled, no original. Baseado em novela escrita por Thomas Cullinan chamada A Painted Devil teve sua primeira filmagem em 1971, feita por Don Siegel e estrelada por Clint Eastwood.

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Partindo de uma história bem simples e circunscrita ao microcosmo de um internato feminino, com poucas jovens e a responsável por elas (Nicole Kidman), o filme nos brinda com uma pequena parábola de algumas mazelas humanas e seu incrível poder de destruição.

A guerra lá fora, tão masculina e assustadora, se instaura pouco a pouco, no dia a dia, nas sutilezas dos olhares, dos ciúmes, do desejo, da sedução e da impossibilidade de controlar a atitude do outro. Com uma direção de arte e fotografia muito bem cuidadas e também repleta de sutilezas, a penumbra dentro do internato mais esconde que revela as frágeis criaturas apavoradas com os horrores do embate bélico. A ausência de trilha, a meu ver, é um mérito do filme. Seco, sem comentários.

O encontro com o outro, um cabo do exército inimigo, ferido (Colin Farrel), encontrado no bosque em frente ao internato, é o estopim que as leva da caridade à crueldade, num crescendo que assusta. Aos poucos, a candura das meninas dá lugar a olhares, jogos de poder, disputa e manipulações sutis.  Mais não posso contar. O que encanta no filme é como através de uma história, aparentemente, simples, a obra nos fala do mundo, da humanidade e de como podemos passar de cordeiros a lobos rapidamente.

E isso, especialmente, nos dias de hoje, é uma reflexão necessária a todos nós.

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