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Na verdade, desde a redemocratização, nos anos 1980, tinha vontade de deixar meu testemunho sobre os chamados “anos de chumbo”.

 

 

1 – Em que momento você percebeu a necessidade de escrever o Minhas desmemórias?

Não houve um momento específico. Na verdade, desde a redemocratização, nos anos 1980, tinha vontade de deixar meu testemunho sobre os chamados “anos de chumbo”. Mas não se trata de um testemunho factual, porque não me considero dono da verdade. Contei a minha história do modo que ela me veio à cabeça. É quase um desabafo.

2 – Por que você escolheu escrever um livro de memórias – ou desmemórias – em versos?

Como digo na apresentação do livro, não procurei a objetividade dos historiadores. Por isso, para deixar a subjetividade correr solta, achei que a poesia iria me permitir que a emoção predominasse. A métrica e as rimas apenas servem de contenção, para evitar transbordamentos. Mesmo assim, eles às vezes acontecem.

3 – Como se dá o seu processo criativo de forma geral e como foi, especificamente, a construção do Minhas desmemórias?

Não tenho um método específico. Às vezes, começo a escrever sem nem saber direito o que vai vir. E, enquanto escrevo, altero constantemente o texto. No final, se achar que está bom (o que nem sempre acontece), procuro levar ao julgamento alheio os meus escritos. Ou não: deixo-os numa gaveta ou jogo direto no lixo. Quanto às desmemórias, comecei a escrevê-las em 2011, parei durante anos, retomei e finalmente criei coragem para dar a público o texto. Não tive o intuito de agradar a todos os que me lerem. Sei que haverá pessoas que ficarão incomodadas pela forma com que trato os fracassos da esquerda brasileira. Só posso esperar dessas pessoas que encarem minha narrativa como uma autocrítica, não como uma culpabilização. Se há um culpado, sou eu.

4 – Quais as possibilidades que você imagina para o Minhas desmemórias? Que público você pretende alcançar?

Possiblidades, há. Se achasse que não haveria, não daria a público o que escrevi. Espero, como resposta dos leitores, alguma emoção. Tudo, menos a indiferença. Quanto a “alcançar”, não faço a menor ideia.

5 – Você tem outra obra a caminho?

Sim. Um livro de contos (alguns deles premiados).

6 – Que sugestão você daria a um jovem escritor?

Escreva sem pensar no que “os outros vão pensar”. Não queira agradar nem a si próprio.

8 – Você tem algo mais a dizer aos seus leitores?

Sim , mas não sei bem o quê. O que tenho a dizer está no que escrevo.

9 – Hoje, o que esse livro pronto, editado, representa para você pessoalmente?

Uma tarefa comprida. E cumprida.

10 – O que você diria a quem possui uma boa história para contar?

Deixe a história fluir por si mesma. Não desanime se você não “gostar” do que escreveu. Da próxima vez, talvez você gostará. Mas não se esqueça de pedir auxílio às Musas.

Capa Livro Desmemórias Montada