Com 82 anos, me perguntei o que faltava para me completar:

“Plantei uma jaboticabeira, tenho 5 filhos e 4 netos… Um livro!…”

e de repente surgiu um apelo forte dentro de mim,

que coincidiu com o anúncio da Capitolina Edições.

Destino? E cá estamos nós! Oxalá!

 

 

1 – Em que momento você percebeu a necessidade de registrar em versos, sentimentos e experiências de vida?

Menina, uns 7 anos: Tu és oh Flor Singela/ O lírio do meu amor/ Tu és a gota de sangue/ Que sobre o meu rosto pingou. Mamãe leu, riu e disse: — Pavoroso!

Lá pelos 16: E’ quase nada/O que eu busco em vida/Pois quem no amor/Busca ventura/Só encontra o Nada/De um momento!/E a saudade/Desse Nada é Tudo! Não mostrei pra ninguém.

Terminado o casamento, a certeza de abandono e solidão. Sozinha, difícil o recomeço! Quando, na mesma época, o meu pai morreu, brotou espontâneo um poema enaltecendo a minha mãe. Feriados, fins de semana sem ninguém para desabafar, escrever em prosa, um fracasso retumbante… rabisquei uns versos: Lua de lembranças vagas, uma promessa que fiz pra mim mesma de lutar e vencer! No Grupo de Criatividade Shulamis Glatt, cada módulo, um tipo diferente de arte. Arrisquei algumas poesias e no final ela sugeriu que eu fosse em frente. Virou, então a Poesia, a Companheira, a grande Confidente de Domingos e Feriados.

2 – Há quanto tempo você guardava seus escritos “na gaveta” e como surgiu a ideia de publicar o livro Amar… futuro saudade?

Foi assim: um “antes tarde do que nunca”. Quando depois da instalação de um fogão novo, fui vítima de um forte escapamento de gás. Fiquei muito mal durante meses. Com 82 anos, me perguntei o que faltava para me completar: “Plantei uma jaboticabeira, tenho 5 filhos e 4 netos… Um livro!…”  e de repente surgiu um apelo forte dentro de mim, que coincidiu com o anúncio da Capitolina Edições. Destino? E cá estamos nós! Oxalá!

3 – Que manifestação artística você mais admira?

Aos 11 anos de idade, a Rádio Ministério da Educação entrou na minha vida. E a Ópera junto com ela! Manifestação artística, de longe minha preferida: é música, é teatro, é cenário (arquitetura), são vozes magníficas que exaltam poesias, dramas e comédias. Vidas humanas… psicologia! Queria cantar! Não cursei uma Universidade. Estudei idiomas. Solitária, viajei muito e aprendi, mundo afora, o que sei hoje.

4 – O que você acha que o seu livro pode levar aos seus leitores?

Imagino que uma grande reflexão sobre o amor: Futuro Saudade? Platônico, Opus Zero? De um Azul Desbotadissimo? Valeu pra mim…não deixem de fazer valer para vocês. Sonhem, amem, sofram, morram por amor! Com happy end ou sem ele! Compartilhem com os que sofrem afetos, dádivas, palavras de consolo. O Pão Nosso de cada dia, um sorriso, uma prece, uma flor, o que puder fazer alguém feliz. Um olhar. Um simples “olá!”. Tudo isso é amor!

5 – Quais as suas leituras ou seus autores preferidos?

Em solteira li muito. Gostava muito de Eca de Queiroz e Alexandre Herculano. Fanática por Camões e Lamartine (lido e relido), Manuel Bandeira e encantada por Cecília Meireles! Para refazer e não perder lembranças, li muito a respeito dos 75 países que visitei. São 72 cadernos, onde história, geografia, dados enfim, estão registrados para consultas de meus filhos e netos.

6 – Que sugestão você daria a um jovem escritor?

Não tenho ideia. Não sou escritora. Li muito quando jovem, principalmente nos idiomas que estudei. Não acompanhei o desenrolar e o modernizar da Literatura. Só sei que quando recebia uma partitura musical, antes de mais nada, era a letra que determinava a minha escolha.

 

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