Dia do Escritor 2017

“arte não é produto de mercado.

Podem me chamar de romântico.

Arte, pra mim, é missão, vocação e festa.”

Ariano Suassuna

 

Escritores

No Dia do Escritor – 25.07 -a Capitolina Edições

abraça os escritores que participam de seu catálogo

e

a todo autor que percebe na sua arte,

uma forma de missão,

de vocação

e de festa!

FLIP 2017 – Lima Barreto – Correspondências

 

Nosso homenageado trocou correspondências com os Modernistas da Semana de 1922.

Inteligência e ironia não faltaram. O assunto será tema de debates na FLIP de 2017.

Destacamos trecho de Monteiro Lobato, editor à época, que de de forma certeira e quase premonitória,

afirmou dirigindo-se a Lima:

“Que obra preciosa estás a fazer!

Mais tarde será nos teus livros e nalguns de Machado de Assis, mas sobretudo nos seus,

que os pósteros poderão ‘sentir’ o Rio atual com todas as suas mazelas (…)”

 

#Lima Barreto

#Capitolina Edições

#FLIP 2017

Salve Jorge! 23 de abril

camiseta 6 cópia (Custom)

Salve Jorge!

 

 “O guerreiro São Jorge dominando o Dragão,

montado em Cavalo Branco,

poderá ser visto nas noites claras de todos os tempos.”

 

Jorge da Capadócia, o menino guerreiro

Therezinha Mello

Disponível em nosso catálogo

#Salve Jorge!

#São Jorge

#Jorge da Capadócia

#Capitolina Edições

120 anos de Pixinguinha

índiceNeste domingo, 23 de abril, nosso Alfredo da Rocha Vianna Filho, Pizindim, Pixinguinha, completaria 120 anos. A homenagem da Capitolina Edições segue no texto de Therezinha Mello, Se tu soubesses, publicado na obra Seis tempos de nosso catálogo. Conta a história da emblemática foto de Walter Firmo, tirada no quintal do músico há quase 50 anos. Vamos ler?

Se tu soubesses

Setembro de 1968. Aquela poderia ter sido apenas mais uma tarefa para o fotógrafo Walter Firmo. No subúrbio de Ramos, Rio de Janeiro, morava Pixinguinha. Walter chegou, acompanhado do repórter que entrevistaria o músico. O quintal sombreado por imensa mangueira. Bucólico jardim com dálias e rosas. A cadeira de balanço austríaca – encosto protegido por tecido estampado – esquecida sob a árvore. Pronto o cenário. Terminada a entrevista, Walter convida o Mestre para sentar-se ali e deixar-se simplesmente fotografar. Ele, generosamente, atende ao pedido.

Um fotógrafo nunca tem certeza da boa foto. Ela é um instante, que pode perder-se, para nunca mais. Há que insistir e acreditar. Especialmente em tempos não digitais. Contava com trinta e seis poses. A oportunidade era única. Walter estava diante do mestre Pixinguinha. Longe do palco. Recostado à cadeira. Reflexivo. Calça branca, paletó azul. Às mãos, o saxofone. Walter disparou o primeiro clique.

Momento eterno e de plena mansidão. O músico era captado em flashs, no silêncio da antiga Rua Pixinguinha. No lento balançar, fechou levemente os olhos. Não precisava falar. A flauta e o velho sax já haviam dito quase tudo. Começara a tocar muito cedo, entre a bola de gude e a pipa. “– Pizindim, Pizindim, você tem a cabeça boa pra música.”. O apelido que a avó africana lhe dera ficara para sempre. Virou Pixinguinha. Matava aula pra tocar na Lapa. E, ainda por cima, vestindo o uniforme do São Bento! Ê tempo bom!

As cenas passavam-se rápidas. Toda a sua vida cabia ali, sob a mangueira florida, bem ao lado do jardim. As fotos seguiam. As lembranças também. Os velhos companheiros Donga e João Pernambuco. A casa de Tia Ciata: choro na sala e samba no quintal. Os pensamentos eram como notas musicais. Tinham sempre destino certo. Nunca se perdiam.

Naquele ano comemorava setenta anos. Setenta e um. Ele era meio distraído. Tinha oficializado o registro de batismo com um equívoco no ano de nascimento. Só ele mesmo! Pra comemorar, iam fazer um espetáculo no Teatro Municipal. Pensou que, há mais de cinquenta anos, era um dos Oito Batutas. O conjunto apresentara-se naquela mesma Avenida Rio Branco. Na sala de espera do Cinema Palais.

“– Mestre, terminamos.”.  A voz forte de Walter Firmo concluía a sessão de fotos. “– Eu prometi que seriam só cinco minutos!”.  Ele sorriu de um jeito calmo. Bonachão. Os amigos de Pixinguinha costumavam chamá-lo de santo. Talvez pela nobreza de coração. Ou pelo talento, divino com toda a certeza. Muito acima do que quer que possamos considerar mortal. Vinícius chegou a dizer certa vez que, “se não fosse Vinícius, queria ser Pixinguinha”. Aquela tarde talvez tenha sido um de seus momentos contemplativos, em que levitou sem ninguém perceber. Buscou-se a si mesmo num voo solo e tranquilo. Despertou-o a última foto.

Walter deixou o subúrbio de Ramos de volta à revista Manchete. Sabia que suas lentes haviam captado imagens que ficariam para sempre. Do portão, Pixinguinha acenava com seu jeito simples de estar no mundo. Em passos brandos, o encantador maestro Alfredo da Rocha Viana retornou à sua sala de estar. Era como se tivesse andado léguas. Não há dúvida de que tinha ido muito mais longe do que pudera sonhar. Do que mestre Batina, o primeiro professor, poderia supor. Continuaria seguindo em frente. Na companhia da flauta, do sax e do antigo piano. Parceiros definitivos nos acordes geniais de “Rosa” e “Carinhoso”.

# Capitolina Edições

# Pixinguinha 120 anos

# Walter Firmo