Salve Jorge! 23 de abril

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Salve Jorge!

 

 “O guerreiro São Jorge dominando o Dragão,

montado em Cavalo Branco,

poderá ser visto nas noites claras de todos os tempos.”

 

Jorge da Capadócia, o menino guerreiro

Therezinha Mello

Disponível em nosso catálogo

#Salve Jorge!

#São Jorge

#Jorge da Capadócia

#Capitolina Edições

120 anos de Pixinguinha

índiceNeste domingo, 23 de abril, nosso Alfredo da Rocha Vianna Filho, Pizindim, Pixinguinha, completaria 120 anos. A homenagem da Capitolina Edições segue no texto de Therezinha Mello, Se tu soubesses, publicado na obra Seis tempos de nosso catálogo. Conta a história da emblemática foto de Walter Firmo, tirada no quintal do músico há quase 50 anos. Vamos ler?

Se tu soubesses

Setembro de 1968. Aquela poderia ter sido apenas mais uma tarefa para o fotógrafo Walter Firmo. No subúrbio de Ramos, Rio de Janeiro, morava Pixinguinha. Walter chegou, acompanhado do repórter que entrevistaria o músico. O quintal sombreado por imensa mangueira. Bucólico jardim com dálias e rosas. A cadeira de balanço austríaca – encosto protegido por tecido estampado – esquecida sob a árvore. Pronto o cenário. Terminada a entrevista, Walter convida o Mestre para sentar-se ali e deixar-se simplesmente fotografar. Ele, generosamente, atende ao pedido.

Um fotógrafo nunca tem certeza da boa foto. Ela é um instante, que pode perder-se, para nunca mais. Há que insistir e acreditar. Especialmente em tempos não digitais. Contava com trinta e seis poses. A oportunidade era única. Walter estava diante do mestre Pixinguinha. Longe do palco. Recostado à cadeira. Reflexivo. Calça branca, paletó azul. Às mãos, o saxofone. Walter disparou o primeiro clique.

Momento eterno e de plena mansidão. O músico era captado em flashs, no silêncio da antiga Rua Pixinguinha. No lento balançar, fechou levemente os olhos. Não precisava falar. A flauta e o velho sax já haviam dito quase tudo. Começara a tocar muito cedo, entre a bola de gude e a pipa. “– Pizindim, Pizindim, você tem a cabeça boa pra música.”. O apelido que a avó africana lhe dera ficara para sempre. Virou Pixinguinha. Matava aula pra tocar na Lapa. E, ainda por cima, vestindo o uniforme do São Bento! Ê tempo bom!

As cenas passavam-se rápidas. Toda a sua vida cabia ali, sob a mangueira florida, bem ao lado do jardim. As fotos seguiam. As lembranças também. Os velhos companheiros Donga e João Pernambuco. A casa de Tia Ciata: choro na sala e samba no quintal. Os pensamentos eram como notas musicais. Tinham sempre destino certo. Nunca se perdiam.

Naquele ano comemorava setenta anos. Setenta e um. Ele era meio distraído. Tinha oficializado o registro de batismo com um equívoco no ano de nascimento. Só ele mesmo! Pra comemorar, iam fazer um espetáculo no Teatro Municipal. Pensou que, há mais de cinquenta anos, era um dos Oito Batutas. O conjunto apresentara-se naquela mesma Avenida Rio Branco. Na sala de espera do Cinema Palais.

“– Mestre, terminamos.”.  A voz forte de Walter Firmo concluía a sessão de fotos. “– Eu prometi que seriam só cinco minutos!”.  Ele sorriu de um jeito calmo. Bonachão. Os amigos de Pixinguinha costumavam chamá-lo de santo. Talvez pela nobreza de coração. Ou pelo talento, divino com toda a certeza. Muito acima do que quer que possamos considerar mortal. Vinícius chegou a dizer certa vez que, “se não fosse Vinícius, queria ser Pixinguinha”. Aquela tarde talvez tenha sido um de seus momentos contemplativos, em que levitou sem ninguém perceber. Buscou-se a si mesmo num voo solo e tranquilo. Despertou-o a última foto.

Walter deixou o subúrbio de Ramos de volta à revista Manchete. Sabia que suas lentes haviam captado imagens que ficariam para sempre. Do portão, Pixinguinha acenava com seu jeito simples de estar no mundo. Em passos brandos, o encantador maestro Alfredo da Rocha Viana retornou à sua sala de estar. Era como se tivesse andado léguas. Não há dúvida de que tinha ido muito mais longe do que pudera sonhar. Do que mestre Batina, o primeiro professor, poderia supor. Continuaria seguindo em frente. Na companhia da flauta, do sax e do antigo piano. Parceiros definitivos nos acordes geniais de “Rosa” e “Carinhoso”.

# Capitolina Edições

# Pixinguinha 120 anos

# Walter Firmo

 

Dia da Literatura Infantil – 02 de abril

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Sophie Anderson – 1823-1903

 

No Dia da Literatura Infantil a Capitolina Edições abraça autores, pais, professores

e todo aquele que, em algum momento do seu dia, oferece um livro ou conta uma história a uma criança.

Aos que presenciarem uma cena assim, recomendamos fazer silêncio:

eles estão muito ocupados mudando o mundo!

Carnaval espiritual – Frei Betto

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Frei Betto

“Há um baile no salão profundo de minha subjetividade, no qual, sem máscara, se espelha minha verdadeira identidade.”

 
Ouço o apito de alerta à bateria, o repicar dos tambores, o chacoalhar metálicos dos pandeiros, a marcação do bumbo, o gemido agônico da cuíca, o estremecer rítmico da batucada. Sei que é Carnaval.
Festa de se travestir no que não se é, euforia inescrupulosa, despir o corpo e a alma ao descompasso dos pés movidos pelo samba, erguer os dedos das mãos enquanto o corpo rodopia ao som de marchinhas. Meu Carnaval é outro.
Não o do repúdio moralista à nudez produzida para o olhar televisivo. Nem o das escolas de samba na épica revelação de como a história pode ser contada por uma versão onírica. Nem o dos bailes em que máscaras e fantasias melhor traduzem o que somos, sem disfarces.
Meu Carnaval é espiritual. Nele ressoam enredos abissais. Há um cortejo de virtudes que exercem sobre mim fascínio e medo. Há um cordão de arlequins e pierrôs cuja alegria deixa ensimesmada minha falta de coragem para me deixar levar. Há um baile no salão profundo de minha subjetividade, no qual, sem máscara, se espelha minha verdadeira identidade.
Meu Carnaval é pura orgia. Porque me recolho na alcova da plena nudez e convoco o trio: o Pai, que é mais Mãe, o Filho e o Espírito Santo. Ébrios de amor, atravessamos as madrugadas em uma despudorada esbórnia espiritual.
Às primeiras luzes do amanhecer já não sabemos quem é um e quem é outro. Somos todos imagem e semelhança de um e de outro. Mergulhados em ressaca mística.
Meu Carnaval não tem a elegância das comissões de frente, a majestática apoteose dos carros alegóricos, o esplendor dos concursos em que desfilam imperadores e ninfas. É uma festa na qual o espírito se despe de toda fantasia e se exibe às verdades mais atrozes.
Nele, cubro-me de paetês e de lantejoulas para aliviar o dom inefável de me saber morada divina.
Faço de conta que sou apenas o que aparento, embora exposto intimamente à passarela repleta de gente que assiste, extasiada, ao desfile surpreendente das bem-aventuranças.
Circulo pelos salões travestido de palhaço. Assim, posso rir dos senhores cheios de certezas, dos que julgam que a vida tem mais respostas que perguntas, de quem faz da existência mero adereço da própria vaidade, sem jamais provar a comunhão amorosa com a natureza, o próximo e o mestre-sala que faz o Universo dançar como cabrocha desnuda, exibindo o lindo corpo salpicado de galáxias brilhantes.
Meu Carnaval se estende por toda a vida, até culminar na apoteose que faz do radicalmente humano sua divina plenitude.
Meu Carnaval é acreditar que o reinado de Momo é prenúncio do futuro que nos aguarda, quando toda lágrima secará, todo choro cessará, todo luto se apagará, toda saudade findará.
Porque Ele será tudo em todos e as portas de seu reino, escancaradas, acolherão todos ao eterno amor que cativa, arrebata, transubstancia, como deleitável fogo que jamais queima nem se apaga.

#Frei Betto

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